sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aquela que não fica feliz com Dezembro

A lista de infelicidades com Dezembro é longa, logo, vamos lá ver:

- A falta de tempo têm-me consumido tudo. Eu ando cansada, stressada, a chorar pelos cantos, novamente para os lados de deprimida. Eu não consigo focar a minha atenção ou vontade em nada, com as pessoas a insinuar que eu não faço nada, que eu sou uma inútil, incapaz. Não podem atirar-me os defeitos todos à cara e depois perguntar num arzinho inocente "Mas não vais desistir, não?" ou esperar que eu vá feliz para um teste.

- Voltei a ser a ovelha negra da escola. Miúdos do sétimo ano gozam-me, mais velhos gozam-me... eu já vos disse alguma vês que eu detesto pirralhas com fogo no rabo? Abaixo de quinze anos já é uma tortura demasiado grande para mim, e agora sou forçada a conviver com criancinhas. Pior ainda, eu sou baixíssima, tenho 1,54 metros, e vejo à minha volta estafermos de quinze anos um bom palmo mais altos que eu. É desmoralizador.

- O nosso professor de Matemática resolveu inventar no teste. Resultado? Um exercício que ninguém conseguiu resolver, enunciados errados e mal escritos, e vamos fazer outro teste. Eu estou atolada em testes, com uma vontade sobrehumana de mandar todos à fava e faltar à audição de dia 10.

- Aliás, volaram-me a ameaçar tirar de lá. Eu encolhi os ombros, disse que estavam ali os papéis e o violino, podiam por tudo dentro da lareira e passar o Natal. É incrível, o homem conseguiu deitar-me de novo abaixo, conseguiram fazer-me desistir do sonho que tinha. Agora é oficial que eu nem faço Universidade, nem faço nada. Eu só tenho forças para chorar feita uma idiota, feita a idiota que sou. E é nestas alturas que todos resolvem abrir o saco do ódio que têm por mim e despejar tudo em cima.

- Porque, vamos lá a ver, eu não consigo afinar decentemente, eu não consigo fazer ponta de um corno de Bach, eu não consigo ter sequer coragem para fazer aquilo. E depois vem ele dizer-me para eu parar de tocar a medo. Oh, que inteligência, descobriste que eu tava com medo como? Pela minha cara de mortificada, por eu estar com os típicos sinais da adolescente nervosa, ou foi do quê? De um lado tenho um que me diz que está bem, do outro lado está ele a dizer que eu não evoluo nada agora. Sim, é verdade. Cometi o maior erro que podia cometer lá, que é estagnar. Fui depressa demais, e agora chego a nenhures.

- E que raio foi aquilo do "Eu conheço-te há mais tempo."? Isso foi o quê, a sério? Uma afirmação de posse? Quantos anos tens mais que eu? Vinte? Trinta? Além de seres meu professor, além de me teres pago um lanche... espera, é isso? Pagaste-me um donut, ouviste tudo o que eu disse da boca para fora ali, e agora é isso? Mas quando foi com o meu pai nem hesitaste em dizer uma coisa diferente. A sério, quem és tu? Por acaso, és próximo a mim? És meu amigo? Festejaste comigo as minhas felicidades? Estiveste lá para eu chorar? Não, a sério, diz-me, quem és tu?

- Depois dessa, desenvolveram-se uma série de questões na minha cabeça, que eu gostava que alguém me respondesse. Aqui vão: O que é gostar? O que é a felicidade? Até que ponto se justifica viver infeliz ou morrer pela felicidade? O que é ser realmente talentoso e bom? Quanto tempo ainda me resta? Quem é que é meu amigo? Justifica-se eu estar afastada psicologicamente dos meus pais porque eles me acham uma inútil? Porque é que isto dói tanto?

- Para não falar de que me recusei a convidar familiares para a audição. A sério, vou fazer a audição rodeada de miudinhos pequenos, vou falhar, como tenho falhado na afinação, na orquestra... não, eu nem lá vou voltar nunca mais. Eu ganhei pavor àquele lugar, eu ganhei pavor a toda a gente outra vez, eu estou que não quero ver ninguém mais à minha frente, nunca mais me quero cruzar com eles, chega, basta. Não os quero olhar nos olhos outra vez, acho que eles pensam que eu sou conmpletamente estúpida e lenta. Aliás, sou. E dramática também.

- É Natal, e eu detesto Natal. tenho sempre demasiados trabalhos e problemas pessoais durante o Natal. Felizmente, consegui convencer os meus pais a deixarem-me ir ter com os meus avós lá no monte.

- Pretendo isolar-me do mundo. E não querer mais saber de nada. Já levei demasiado daqui. Já nem o psicólogo me quer ouvir, não tenho ninguém a quem falar.

- Vontade psicológica de beber Hg.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tempo

Tempo: coisa que quanto mais se quer, menos se tem, e quanto mais perdido se está, mais se perde nele.

Tive uma semana em que mal me podia virar, porque não havia forma de fazer tanto em tão pouco tempo. Ainda tenho de acabar uma pesquisa para o trabalho de AP (pois é, pois é, sobre Moda. Eu sei o que dirão, porque eu digo o mesmo, mas era só uma contra três, e até o professor apoiava... e agora vamos a descarrilar para nenhures). Tenho mais testes quinta, sábado, etc, etc, a audição dia 10, as outras dia 19...

Mas o tempo é algo que não se controla de forma nenhuma. Eu queria tempo para tudo isso aí em cima, e para escrever em Interdimensionaria, que tenho mais uma folha para passar a limpo no computador (sei lá de onde, veio esta força para escrever), tempo para ver a Câmara dos Segredos de novo, e o Prisioneiro de Azkaban, tempo para ver de novo Nodame Cantabile.

E chego ao dia de hoje, com algum tempo (uma tarde inteira), sem querer fazer nada. Nem escrever, nem ler, nem ver filmes, animes, qualquer coisa dessas. Finalmente tenho algum tempo, e tudo o que me apetece fazer é ir para um cantinho, enroscar-me, e não fazer absolutamente nada. É claro que não vou poder sequer fazer isso, porque me vou obrigar a fazer os trabalhos da escola. Porque é uma obrigação que tenho. E eu, como ser minimamente responsável e perfeccionista que sou, arrasto-me a mim mesma para cumprir o dever.

Não evita, claro, que eu faça porcaria, brigue comigo mesmo e acabe outra vez lá ao cantinho, desta vez a chorar.

Mas, no fundo, é isto: o tempo nunca nos chega. Desejaríamos sempre que o dia tivesse mais horas que aquelas que tem. Na maiora parte das vezes, a culpa é nossa, que aproveitamos mal qualquer que seja os minutos que nos restem. Por vezes, é mais o tempo que perdemos em ninharias, a choramingar sobre o leite derramado, do que propriamente a ultrapassar a situação. E, quando finalmente parece que temos tempo, perdemos num mar de coisas que gostávamos de ter feito, e já não vamos a tempo, ou com vontade. Houve ali qualquer coisa que se perdeu entre esta mudança, este inbetween entre não ter tempo e, de repente, parar e ter a possibilidade de pensar, reflectir, fazer.

E, assim, não sei o que custa mais: não ter tempo nenhum nem sequer para lamentar não o ter, ou ter tempo para cair em melancolia.

É que agora comecei a falar muito mais com os meus pais. Desde a consulta do psicólogo que assim é, e diz ele que esta comunicação vem a calhar e é boa. O problema é que eu acho que vem tarde demais, e já me desabituei a falar com eles. Eu, durante dezassete anos, tive uma mãe ausente em casa, que trabalhava de noite e mal nos falava, a não ser para mandar fazer tarefas de casa e dizer que eu fazia tudo mal. Por vezes ainda ia comigo à escola, mas era sempre muito pouco.

Agora, de cada vez que falo com eles, a única coisa que me vem à cabeça é... sorrow. Creio que é mágoa, ou algo assim, mesclado com medo ou algo estranho. De cada vez que me vejo nos velhos filmes de família (não tão velhos assim, são coisas de há dois/três anos atrás), não me reconheço. E quando falo com eles, também não. não sei que imagem criaram de mim, quem pensam que sou, e que no fundo não sou. Eles continuam a querer que eu seja uma doutora rica, que nos vá arrancar a todos da pobreza de dinheiro. Há muito tempo atrás, julgo eu que me deixei também levar um bocado por esse sonho. Não sei quando foi que me distanciei deles.

Não queria. Nunca quis. Neste momento, estou capaz de, mais uma vez, abandonar qualquer sonho de arte que tenha para voltar a dar-me bem com eles, mas não sei como o fazer. Não sei como ganhar interesse pelo que eles querem, e não estou para tirar um curso contrariada. Não vale a pena. Eles são meus pais, nunca os devia ter perdido. Não sei onde foi que errei, ou errámos todos. Sei apenas que sou uma pessoa triste, cada vez mais fujo a afectos. E, no entanto, anseio por eles.

Devia contar os minutos até me tornar completamente maluca. Só que acho que já estou.

Preciso de uma amiga para falar. Uma que, de preferência, também saiba música ou qualquer outra arte, que isto regado a dilemas de oitavas ainda desce que é um descanso.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Worst week ever

Finalmente consegui aqui parar... e já é sexta.

Esta semana está, com certeza, reservada para acabar com a imagem do senhor gordo nerd dos Simpsons a dizer, sentencioso, "Worst week ever!" Só parei mesmo agora de fazer o que quer que seja, e ainda tenho trabalhos pela frente, treino, mais testes, treino, apresentações... deito as mãos à cabeça e, se no futuro, isto só for piorar, então, pobre de mim. Se bem que a culpa também é minha.

Aliás, é culpa inteiramente minha que eu tenha instalado de novo o jogo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, jogar em tudo o quanto era tempo livre (umas míseras três horas), e ir a correr buscar o livro para ler pela vez número... não sei. Só sei que esse livro tem a lombada completamente arqueada, tal não foi o número de vez que já o abri para ler. Depois digo que não sou viciada. (Mas, para que fique aqui registado, para mim, Harry Potter é Câmara dos Segredos e Prisioneiro de Azkaban, porque os últimos livros não chegam a esse nível - e é apenas a minha opinião.)

Como se não bastasse, caí novamente nas escadas, e ganhei umas belas nódoas negras. Já percebi, o meu problema é com escadas. Nunca consigo subir um escadote até ao fim, e espalho-me à grande e à francesa em qualquer escada, à frente de amigos, colegas e professores. Desta vez foi em casa. Para a próxima será onde? E por quanto mais tempo andarei eu de nódoas negras?

Bem, isso não interessa agora. O que interessa é que dia 10 de Dezembro eu tenho audição. Não só, dia 19 é também audição de Coro e de Orquestra. A primeira, para mim, é obrigatória. A segunda, certo alguém teve a ideia genial de me incluir lá, só com um ensaio geral num domingo. Eu, que nunca pus os pés numa orquestra, só com um ensaio sou recambiada para lá. Imagino o desastre cultural que por ali não passará.

Passando adiante desse detalhe, o qual aconselho a evitar (se morarem aqui perto, dia 19 corram para os Himalaias!), tenho também de trabalhar para uma montanha de coisas na escola, porque, de súbito, todos se lembraram de trabalhos a apresentar, relatórios, actividades que acham engraçado para nós fazermos e que nós não achamos graça nenhuma. Eu, pelo menos, posso achar imensa graça até ao exercício mais idiota de música, mas mandar-me um caderno de exercícios de Biologia para estimular o meu interesse por Mendel é pedir para eu torcer bem o nariz.

Porém, nem tudo foi mau. Voltei a conversar com a Din, como não fazia há muito tempo. E a fugirmos de abelhas. É nestas horas que pergunto porque é que somos forçadas a crescer de uma forma tão estranha, nesta sociedade? Desde cedo, desde os nossos sete anos, que não somos nem do grupo das meninas bonitas, nem do grupo dos rapazes, se bem que, actualmente, ela na natação sincronizada e eu no violino já nos tenha posto no clube das que anteriormente tinham ballet e clarinete.

Segundo o que dizemos de nós, nós sempre fomos estranhas, distantes. Eu, ela, o Phype e mais uns dois ou três, a fazer casinhas de pedra e terra para os brinquedos dos ovos da Kinder. Eu, excelente a tudo, com veia para teatro e para cantar, ou assim parecia, gostava de estar sozinha por uns bons largos tempos para fazer a minha actividade favorita: andar pelo pátio, sem rumo, com uma música na cabeça, a imaginar histórias, com uma personagem que tinha o aspecto do boneco noivo do bolo do casamento dos meus pais. Esse, era o Sirius, depois de eu ter lido Harry Potter pela primeira vez, e é o início de duas personagens que me haveriam de acompanhar sempre: Ringo e Cassidy.

Um dia, falo sobre elas. Embora falar sobre elas seja, no fundo, entregar de bandeja grande parte do que é Interdimensionaria, apoiada em High Hopes e Peverell Maiden.

Não conto conseguir vir cá mais vezes para escrever, não agora que abri o Alma Musicae. Vou acabar por postar mais lá, sobre música exclusivamente, e deixar este blog para outros devaneios mais pessoais e aleatórios. Esporádicos, já dizia alguém. E, acho que ainda hoje lá posto um pequeno conto que escrevi, e que só penso disponibilizar aqui também no domingo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Concertos nas escadas

Concertos de escadinhas


Esta Terça, para já, nem começou como as outras. Não tive Química logo pela manhã, o que significa que me levantei apenas às nove horas, pude tomar um bom duche para despertar e depois nem comi para ir a pé e chegar a horas à escola. Até aqui, nada de muito especial. Excepto pelos elogios que a professora de Português me teceu na aula que tive de manhã.

Já este ano lectivo a coisa tinha começado assim. Eu sabia que ela gostava das minhas composições, é costume ela elogiar-me com isso. Não estava era à espera, confesso, de ela se virar para mim e dizer "Tens um nível de escrita de um universitário." Universidade. Faculdade. O meu ego, nesse momento, inchou um bom palmo, e nesta aula, o mesmo aconteceu. É claro que ser assim tem os seus quês de ser. Neste momento, estou a olhar para o lado, aqui na secretária, e a ver folhas e folhas de papel escritas, pautadas e quadriculadas. Até as costas de um cartaz usei. São para Clavicula Noctis. O projecto que renasceu do falecido Sonata aos Corvos. Penso disponibilizar aqui em breve, e vai incluir a minha turma. Além de monstros, claro.

Saí, sem grande pressa, nem nada de especial, a não ser os mp4s (ambos, agora tenho um branco, Wolfie, e ainda o do meu pai) terem ficado sem bateria. Logo, tive de seguir caminho assobiando, trauteando o bendito do Minuet. E contente porque agora tenho umas luvas novas, daquelas que só vão até meio dos dedos, que alguém aqui, pelagraça, lhes chama "luvas de mendigo". Daí poder escrever com as mãos enluvadas e quentinhas, só com a ponta dos dedos mais fria. Ainda não experimentei a tocar, mas não deve sair grande coisa.

O melhor, ou pior, ou tudo junto, foi a tarde. Porque é Terça de tarde, e eu tenho aula, é a única altura em que carrego o violino para a escola, que é um daqueles lugares que nem Clube de Teatro é capaz de promover. Só lá aparecem meia dúzia de guitarras, uma ou outra que acha que sabe cantar e a maioria dos alunos do Conservatório fica-se apenas pelo "eu estou cá, mas não me esponho".

O que acontece comigo, é que eu sou arrastada para as escadas para actuar. Os chamados "Concertos de Escadinhas", assim batizados por mim porque olocal de escolha é sempre numas benditas de umas escadas. Eu hoje levava chocolate, estava de bom humor (apesar do teste de Biologia que recebi, e cuja matéria eu odeio, mas até tive boa nota), e já na semana passada tinha feito. Voltei lá, com o Bourreé e o bendito do Minuet, que nem fiz bem, nem fiz mal, eles acharam bom e eu saí de lá a tremer.

Eu forço-me a actuar em frente das pessoas, precisamente porque tenho medo e tenho de o combater, se quiser continuar em frente. Porém, ou eu me enervo e engano, ou eu me enervo e começo a notar um certo peso estranho no peito, ou a minha cabeça começa a andar à roda e eu entro em transe. Literalmente, em transe, a tocar, de pé, certinho... mas nem estou lá.

Juntaram-se aos meus colegas que assistiam, os professores de Educação Fisíca, e  eu já via moedinhas de vinte cêntimos a circular por lá. Bastava-me abrir a caixinha feita uma mendiga e havia de ganhar dinheiro para uma sandes de presunto. Foi com essa ideia que saí de lá, e fui ter aula. Na qual, mais uma vez, eu acho que estou errada e ele acha que estou certa, excepto no tempo. Se há uma grande falha na qual concordemos, é o tempo. E alguns detalhes de dedos. Então, lá abre ele a pasta, e tira de lá... We wish you a merry christmas, porque as lojas já estão a fazer publicidade de Natal e nós temos que acompanhar.

Eu tinha uma vontade tão grande de rir, que nem me controlava. Agora sim, é que eu podia ia para a rua, de luvinhas de mendiga, já que a época é a certa, e a música também, bem vendo. Só faltava a cartola virada para cima à espera de dinheiro. Com a tal música, e na tal época, não havia dúvida que conseguia. Afinal, o Natal traz ou não o melhor das pessoas ao de cima? Eu ofereço música, vocês oferecem-me dinheiro para sobreviver. Mais que justo. Ou não. Não me tentem entender, que nem eu entendo. Neste momento, estou a brincar com coisas sérias, mas que nos deu para rir, deu.

Saí, fui ter com o outro professor, e parece que o tal do Minuet era tudo disparate pegado. Já não é a primeira vez que ele me sacaneia com um "Tu deves chegar lá a a casa e fazer tudo à lá Perlmann". Eu, para ser mais sacana, digo que prefiro o Heifetz. Por causa de Sheherazade. Mentira, que o meu negócio é inspirar-me directamente na fonte (Niccolò e Wolfgang, Piotr, e por aí vai...). Tudo regado a insenso "Feitiço Pagão", que tenho. Comprei especialmente para as ocasiões.

Bem, este pespega-me com mais um Minuet de Bach. Tenho dois. Como diabos vou deslindá-los, okami-sama, eu não sei. O segundo então mete arpejos. Engoli em seco só de olhar para aquilo. E agora vem alguém esperto e dizer que é simples, que como é que eu quero ser grande coisa se uma simples coisa daquela me dá pesadelos. E eu respondo: comecei o ano passado, sou estranha, não tenho confiança em mim e ainda não experimentei.

Ah, sim, já me esquecia. Desliguem ali a caixinha bonitinha de lado, de quem faz melhor que eu. E liguem esta, se tiverem coragem:



Dediquei-me a gravar. Esse é o Bourreé de Hasse. Com um microfone em casa, e o Audacity. Caso para dizer que a qualidade não é das melhores, eu não sou das melhores, mas surpresa, fiz os trilos melhorzinho dessa feita. Que não altera nada a fraca qualidade. Bem, eu tentei. Ainda tento.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Memórias

As memórias tendem a embelezar-se...

Eu tinha aqui começado um post, no mínimo, gigantesco e idiota com aqueles questionários quilométricos sobre tudo um pouco. Mas ele apagou-se, eu aborreci-me, e quando o recuperei, estava de tal forma deformado que resolvi mudar tudo.

Antes de mais, dá para notar que é uma sexta feira, que eu estou aqui sentada a tentar alinhavar qualquer coisa para qualquer texto. Os dedos da mão esquerda perderam a sensisbilidade por completo, eu estou já com uma camada de sono que não distingo duas claves à frente. Sem falar das voltas imensas que a minha vida andou a dar agora.

A minha imagem mental agora é a música dos violinos tristes.

Começo pela aproximação de mim e da minha mãe, que eu vou já esclarecer um ponto importante: não é que eu não goste dela, mas ela é uma mãe ausente. Por esse motivo, eu sempre tive muita tendência para criar personagens sem mãe, vivendo apenas com o pai (bem, este é um detalhe meio... sinistro). Daí, o psicólogo mandou-nos aproximarmo-nos, e em que resulta? Eu e ela a comprar produtos de limpeza da cara, base, e a falar de amigas.

Eu fui, no sentido mais literal e cru da palavra, usada. Eu sou uma pessoa pouco maquiavélica, embora tenha os meus momentos, mas aqui já se pode ver que o meu papel foi o mais passivo possível. Como diria o psicólogo, eu gosto das pessoas por gostar delas, por ser amiga delas. E por isso mesmo fui usada ao máximo, lixada como pude, e saí... sei lá como saí. Neste momento só sei que a coisa acabou de forma atravessada em raivas mal paradas. Essa pessoa... essa pessoa miserável teve tudo o que se pode esperar de uma amiga: lealdade, amizade, uma mão para lhe limpar a porcaria e as lágrimas, pequenos textos, desenhos e dolls para ela.

Hoje, vêem-me dizer que já nessa altura, a senhora Sammy/Misu me dava com cada punhalada nas costas, que já ninguém sabia como é que a ficha não caía. Agora, tenho uma turma de gente que é simpática comigo e que me aponta esse facto. Agora, palmas para esse ser. Que durante muitos e longos anos a carapuça te sirva como pessoa que és.

Para minha felicidade, ou infelicidade, agora de cada vez que dou um passo, alguém do Coro/Violino/Formação Musical me reconhece. E não é que começam já a ser muitas pessoas? É só dar um passo que tenho alguém a chamar-me sei lá eu de onde já. Menos bom é eu raramente encontrar a Di (aqui a Vyo gosta muito de ir conversar com ela. E não abrevio Stradivaria para Di por causa dela, já que ela é a Di.)

E isto tudo, mais o bendito do questionário a que nunca respondi, deram-me uma nostalgia do tamanho do mundo. Elas são o motivo pelo qual ainda não apaguei este blog e recomecei tudo de novo, já este blog contém cenas inéditas. Como quando me plagiaram e eu fiquei possessa, quando o professor Tritão faltou durante semanas seguidas e eu fiquei passada, quando para compensar no dia em que voltou correu melhor que o normal e ainda me ofereceu lanche (à conta disso eu passei a sentir-me uma estranha aluna esfomeada), tudo o quanto era ataque de nervos que eu tinha.

E tenho saudades do Moon Island. E do Penny Lane Tea Party. Juro para mim mesma que nunca mais apago um blog, por mais ausente que fique, ou por muito que queira mudar para Wordpress, e associar-me a um bando de pessoas.

Aliás, alguém está interessado em abrir comigo um blog português em Wordpress sob o tema música? Eu juro que me porto bem.